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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

História do Futebol


                    PEQUERI -HISTÓRIA DO FUTEBOL -
                                                                                        (Texto de Júlio Cézar Vanni )
.Ainda dos primórdios, recordo-me de ter lido no jornal "O ´Pequeri" de 1916, uma nota dizendo da fundação de um time de futebol denominado Independente, liderado por Capota Guarize, revoltado porque os adultos não davam vez aos jovens. Teria sido o primeiro time juvenil ? Outro registro do mesmo jornal falava da ala esquerda do Pequeriense que em 1920 infernizava os times visitantes: Edmundo Micheli e José Marchetti. Por coinciência, já existiu na Itália, precisamente na cidade de Barga, uma ala esquerda com os nomes dos dois pequerienses do passado.
2. Num dos depoimentos históricos de José Flora e confirmado por Silvino Rodrigues e outros, dá conta que em 1924 o Pequeriense recebeu num sábado, a visita do Baeta Neves, clube de um farmacêutico de Bicas. Oos visitantes deviam chegar no trem expresso 22 cujo horário em Pequeri era às 15 horas, mas que só chegou às 17,30. Como era inverno e as tardes mais curtas (18,30 já estaria tudo escuro), alguem prevendo a impossibilidade do jogo ser realizado, teve a idéia de providenciar junto ao encarregado da Companhia Mineira de Eletricidade de duas lomgas gambiarras com sessenta lâmpadas cada uma, que foram estendidas nos dois lados do campo com suporte de longos bambús. Enquanto isso, alguem providenciava num dos sapateiros da localidade, a pintura branca da bola e outra pessoa a pintura em cal dos gols que ainda não dispunham de rêde. A partida foi realizada a partir das 18 ainda com um restinho de luz e durou só vinte minutos, pois os 10 minutos seguintes, não se via mais a bola e as gambiarras eram insuficientes para iluminar o campo. O placar? 1x1, embora os biquenses estivessem mais interessados no jantar e no baile no Hotel Familiar enquanto teriam de aguardar o trem misto para Bicas. E o trem que deveria chegar às 20 horas, chegou com o atrazo de hora e meia. Estavam felizes!...
3. Do meu tempo de garoto recordo-me do time infantil dirigido por Joca, no campo do Pequeriense. Eis alguns nomes lembrados: Toninho da Sinhá (goleiro), Márcio Dutra, Zé Maria e Julio Vanni (zagueiros). Zizinho Flora, Jamil e Fizo (filho do Joca- meio campo). Silvinho Adário, Ildeu Flora e Italo Magri (atacantes). Do time principal recordo-me, vendo jogar: José Flora, João Flora, Eleutério Costa, Gonçalinho, Miguelinho, Anfilófio Salles, Hernani, Vagum, Salvador, Dandão,etc.4. Do S.C. São Pedro nos idos de 1930, recordo-me da sua escalação com Joaquim Rosa (goleiro), Sebastião Granato e Tininho Sanábio, Lucas Salles, Vitório Granato, e Juquinha Salles. Jaime Matta, Beta Matta, Negrinho (Alcides Lanza), Estevão Granato e José Matta. Depois entraram Eduardo (da fazenda do Piquiri), Humberto Granato, Joãozinho (goleiro), Baita, Geraldo Flora, Ed Cortes, etc. O grande ídolo da época sempre foi o Sebastião Sanábio o Tininho- considerado o mais perfeito craque da história do futebol de Pequeri que só não seguiu o profissionalismo porque não era ambição dos jovens da época.E ele jogou até os 44 anos de idade.

A FUSÃO
A fusão do Pequeriense F.C e do S.C. Pequeriense aconteceu em plena vigência do Estado Novo, imposto por Getulio Vargas. Sem política partidária no meio e considerando as dificuldades de se manter dois clubes numa localidade pequena, surgiu a idéia da fusão. Me parece que a idéia foi de Primo Granato, bem aceita por todos. Recordo-me, como bisbilhoteiro que eu era, o Primo Granato e o Sebastião Granato se encontrando na praça com o Geraldo Flora que logo acatou a idéia da fusão, mas tinha que ouvir o pai e os demais adeptos do Pequeriense F.C. Minha impressão na época era que o Geraldo Flora, jogador de grandes virtudes, sentindo que precisava de um grande time para se projetar como atleta, aceitara a fusão como solução pessoal e também, de integração da comunidade esportiva de Pequeri. E com isso levou o irmão Zizinho Flora a se projetar no futebol.
Sebastião Granato, por seu lado era o maior entusiasta pelos esportes. Era quem controlava o campo, promovia sua limpeza, marcação nos dias de jogos, providenciava as bolas, escalava os juizes, chamava o pessoal para os treinos de terça e quinta feira. Enfim, era o lider inconteste e que tinha como admiradores pessoas que ajudavam em participar da diretoria, como Ed Cortes, Laerte Campos, Sr Agenor Ribeiro, Agenor Garcia Ribeiro (Nonô), Ascânio Matta,etc. A fusão lhe agradava e chegou ao ponto de ter dificuldades em controlar os compromissos de jogos, treinos e direção dos juvenis e infantis.
Com a fusão criou-se uma nova diretoria com novo estatuto, novo uniforme para o time, camisa branca com faixas azul e vermelha em diagonal e legalização do Clube na Federação Mineira de Futebol, sem o que não poderia participar dos campeonatos regionais. Aproveitou-se o S.C (Sport Club) do São Pedro e o nome Pequeriense, fadado a um longo período de glórias para Pequeri, culminado como "Esquadrão de Aço", por várias vezes campeão da Associação Biquense de Clubes e da Liga Amadorista de Bicas da qual participaram o Leopoldina F.C. o S.C Biquense, clubes de cidades periféricas e até de São João Nepomuceno. Foi um período de ouro para o futebol da microrregião - mais ou menos 10 anos - criando-se vários clássicos que realmente levavam grande público aos estádios.
O Esquadrão de Aço, apelido do S.C. Pequeriense no período em que foi juntamente com o Leopoldina F.C e o S.C. Biquense, os grandes da região, coincidiu com a rivalidade política entre Pequeri e Bicas que culminaria com a emancipação da nossa terra. A rivalidade futebolística mesclada com a política, levava os atletas de Pequeri a se unirem cada vez mais e com isso o grande período de conquistas. E que timaço: Zeca da Baldina, Didi Fialho, Baita, Sinval Sales, Glauco Sanábio, Renato Matta, Tininho, Murilo Matta, Genésio Matta, Zequinha, Geraldo Flora, Herman Guarize, Zé Capota, Brian Guarize, Zé Daniel, Alfredinho, Angelinho Granato, Zizinho Flora, Ralph Salles,Zeca Favero, etc - meu Deus - era muita gente boa de bola que se revezava sem deixar mágua. Era uma geração em que se encaixariam ,perfeitamente, Roberto Moreira, Murilo Moreira, Henrique Matta e os irmãos Luiz Carlos e Julinho Costa. Há outros nomes que precisam ser lembrados.
DUAS PARTIDAS INESQUECÍVEIS. Devia ser, 1937. O S.C. São Pedro jogava com o Miramar de Mar de Espanha e o Pequeriense F.C. contra um time de Rochedo no mesmo horário de 15 às 17 horas. Ambos os campos eram abertos e estavam cheios. A vila ficou vazia, pois até os velhos, sem nada para fazer, iam aos campos de futebol. No campo dos Granatos, vitória do time da casa por 2x1, goals de Negrinho e Estevão Granato contra um de um tal de Tapuranga. Terminada a partida, os torcedores do S.C São Pedro descobriram que a partida no campo do Pequeriense começara com 30 minutos de atrazo, para lá se dirigiram torcendo contra o time da casa.O Pequeriense ganhava por 1x0 e os rochedenses, estimulados pela torcida de última hora, conseguira o empate.
O sino da Igreja tocou festivo chamando os fiéis para a benção vespertina. Era um domingo de maio, dia de festa de Nossa Senhora com procissão marcada para às 18 horas. Caso contrário, poderia ter acontecido uma briga muito séria.
UNIDOS DE PEQUERI F.C.
Corria o ano de 1946. Vários filhos de Pequeri tentavam a vida no Rio de Janeiro. Sempre em contato entre si, o jovem Luiz Abilio Pimenta Alves, filho do dono do Hotel Avenida, tinha por hábito convocar os amigos para jantar no hotel, sempre aos sábados, por conta da casa. Num dos jantares, surgiu a idéia de se fundar um time de futebol de pequerienses já que todos eram praticantes do velho balipodo. Assim surgiu o Unidos de Pequeri F.C. com sede no hotel , sendo eleito presidente o sr Rodolfo Granato. Integravam o time os seguintes filhos da santa terrinha: Luiz Abilio P Alves, Geraldo Granato, Gilson Guilhermino, Julio Vanni, Luiz Fialho, Italo Magri, Angelinho Granato, Guilherme Guilhermino, Luiz Micheli Valloni, Edson (?) e Eli Garrido. Armado o time, a ideía unânime era fazer uma excursão a Pequeri para jogar contra o S.C Pequeriense, na época consdierado imbátivel na região. Marcado o jogo, o Unidos de Pequeri se reforçou com quatro jogadores importantes do Confiança F.C. clube campeão de amadores do Rio de Janeiro, já que Italo Magri e Julio Vanni estavam adoentados sem chance de participarem da partida. Em Pequeri a idéia geral era que o time local venceria, no mínimo, por 6x0 podendo chegar a uma goleada histórica. Era muita audácia dos filhos da terra que mal poderiam jogar entre os reservas do Esquadrão de Aço.
Acontecia que naquela ocasião o Pequeriense carecia de um bom goleiro. Atuava no gol um tal de Leão que não desprezava uma cachaçinha. Temendo a goleada, alguém do time visitante achou de pagar umas doses duplas de cachaça para o Leão, pouco antes do início da´partida. E não deu outra. Após o primeiro tempo, os visitantes já venciam por 3x0 o que deixava espantados os torcedores locais e atônitos os velhos amigos Sebastião Granato, Beta Matta, Tininho, Geraldo Flora, Ed Cortes, Ascânio Matta, Zeca Favero, enfim todo o time, que confiava numa virada no segundo tempo, que quase aconteceu. Era dia do S.C Pequeriense perder goals um em cima do outro e ser derrotado por 4x3. Inconformados, torcedores e jogadores locais queriam uma revanche no domingo seguinte. Pagariam todas as despesas, etc. Por esperteza, o Unidos de Pequeri foi sempre protelando em aceitar a revanche, até que desapareceu dois anos depois. 

Pequeriense Futebol Clube:
De pé : 1º Odilon Campos,3º Nilo Soares Sobreira,





4º Edmundo Micheli, 5º Marcheti 8º José Flora      (1918-1930)









 Novembro, 1941: Sebastião Adário, Vicente Duim, Sabará, Tininho, João do Pequeri,João Flora, Eduardo
Geraldo Flora, Beta, Dico Fávero e Geraldinho


      Nesta foto : 1º - Marília Dutra 2º- Zita Brum  3º- Iara Emílio Ferreira 4º- Wilma Granato 5º Nice Ferreira 6º- Nemésia Flora 7º Tuna Salles e o jogador Tininho (Sebastião Sanábio da Costa) (de frente).À frente, lendo : Anita Granato.
Alguns jogadores do Sport Clube Pequeriense: ( esquerda pra direita): Nilo Martins, Ernani, Geraldo Flora e Tininho.
Fotos do arquivo pessoal de Nemésia Flora, gentilmente cedidas para esta postagem.




   

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